Vitamina D2 ou D3: qual é melhor para a sua saúde?

Essencial para a vida humana, a vitamina D tem um papel vital em uma variedade de nossos processos fisiológicos. Porém, quando optar por um suplemento, seria a vitamina D2 ou a D3 a mais benéfica? Procuramos na ciência a resposta.

Quando falamos em vitamina D, nos referimos a um grupo de cinco vitaminas estruturadas de maneira semelhante. Elas são compostos que geralmente têm estruturas similares e que têm atividade biológica. Entre os cinco compostos da vitamina D, os mais importantes para a saúde humana são a vitamina D2 (ergocalciferol), produzida por plantas, e a D3, sintetizada endogenamente (chlecalciferol).

Importante para nossos processos fisiológicos, há inclusive sugestões de que a vitamina D atua nos nossos sistemas imunológico e cognitivo. O efeito mais proeminente e bem estudado, entretanto, é sua habilidade de promover a absorção de cálcio e fósforo, um processo essencial na manutenção de nossa integridade óssea.

Em dietas ocidentais contemporâneas, a vitamina D é geralmente deficiente, isto é, há falta da vitamina em nossa alimentação diária. Mesmo que alimentos comuns como leite e cereais sejam frequentemente fortalecidos com vitamina D, eles provêm apenas uma pequena porcentagem dos 600 UI recomendados para nossa ingestão diária.

Por essa razão, não é raro que suplementos de vitamina D sejam recomendados, especialmente para populações vivendo em regiões onde há menor incidência solar. Os suplementos estão disponíveis tanto em forma de vitamina D2 como D3: mas qual delas é melhor para nossa saúde?

Vitamina D2 vs D3

A medicina há tempos já considerou as duas vitaminas como “equivalentes e intercambiáveis”, de acordo com um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition. Essas noções, entretanto, são muito desatualizadas: as duas formas de vitamina D foram consideradas equivalentes baseado em suas capacidades de prevenir raquitismo em crianças em estudos realizados há mais de 70 anos.

Hoje em dia, o status da vitamina D é determinado por um fator mais quantificável e fácil de medir: a presença dos seus metabólitos intermediários, os 25-hidróxi-vitamina D (calcifediol).

Tanto a vitamina D2 quanto a D3 são biologicamente inertes em suas primeiras sínteses e precisam passar por duas modificações químicas para se tornarem ativas: a primeira no fígado e a segunda nos rins.

Ambas passam pela mesma modificação no fígado e emergem como compostos separados, 25-hidróxi-vitamina D2 ou D3, mas são generalizadas pelo nome calcifediol. O calcifediol é o marcador clínico utilizado para determinar o status da vitamina D e também é o precursor imediato da forma ativa da vitamina D.

Nos rins, o calcifediol é modificado quimicamente pela última vez, sendo transformado em um composto conhecido como calcitriol (1,25-dihidroxicholecalciferol D2 ou D3), o hormônio esteróide com atividade biológica que é liberado para a circulação.

O surgimento do calcifediol como o marcador para a vitamina D proveu uma medida quantificável da resposta biológica do corpo à diferentes formas da vitamina D. Estudos recentes inclusive sugerem que as duas provitaminas diferem significantemente em suas habilidades para elevar os níveis de calcifediol.

De acordo com um estudo clínico, a vitamina D3 é “mais eficaz em elevar a concentração de soro 25(OH)D [calcifediol] do que a vitamina D2” devido à sutis diferenças em seus ciclos de vida metabólicos, que estão além do escopo desta análise.

Por outro lado, os metabólitos de vitamina D2 mostram uma baixa capacidade de ligar-se à proteínas de ligação da vitamina D no plasma, sugerindo reduzida habilidade para funções fisiológicas.

A vitamina D3 também é considerada mais potente por especialistas, além de menos tóxica do que a D2 quando administrada em altas doses. Mesmo considerações mais práticas, como preços semelhantes e a maior durabilidade dos suplementos de D3, parecem favorecer a vitamina D3 em relação à vitamina D2.

Um grande número de evidências sugerem que a vitamina D3 deve ter preferências entre as formas de vitamina D disponíveis em suplementos, enquanto a vitamina D2 poderia ser deixada de lado.

LEIA TAMBÉM – Probióticos: Conheça o incrível potencial de cura das bactérias do bem

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HOUGHTON, Lisa A.; VIETH, Reinhold. The case against ergocalciferol (vitamin D2) as a vitamin supplement. The American journal of clinical nutrition, v. 84, n. 4, p. 694-697, 2006. (artigo)

TRIPKOVIC, Laura et al. Comparison of vitamin D2 and vitamin D3 supplementation in raising serum 25-hydroxyvitamin D status: a systematic review and meta-analysis. The American journal of clinical nutrition, v. 95, n. 6, p. 1357-1364, 2012.

Time formado por redatores com pós graduação e/ou doutorado nas áreas de saúde, dieta, suplementação e/ou treino, além de convidados especialistas em suas áreas.

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Vitamina D2 ou D3: qual é melhor para a sua saúde?

Essencial para a vida humana, a vitamina D tem um papel vital em uma variedade de nossos processos fisiológicos. Porém, quando optar por um suplemento, seria a vitamina D2 ou a D3 a mais benéfica? Procuramos na ciência a resposta.

Quando falamos em vitamina D, nos referimos a um grupo de cinco vitaminas estruturadas de maneira semelhante. Elas são compostos que geralmente têm estruturas similares e que têm atividade biológica. Entre os cinco compostos da vitamina D, os mais importantes para a saúde humana são a vitamina D2 (ergocalciferol), produzida por plantas, e a D3, sintetizada endogenamente (chlecalciferol).

Importante para nossos processos fisiológicos, há inclusive sugestões de que a vitamina D atua nos nossos sistemas imunológico e cognitivo. O efeito mais proeminente e bem estudado, entretanto, é sua habilidade de promover a absorção de cálcio e fósforo, um processo essencial na manutenção de nossa integridade óssea.

Em dietas ocidentais contemporâneas, a vitamina D é geralmente deficiente, isto é, há falta da vitamina em nossa alimentação diária. Mesmo que alimentos comuns como leite e cereais sejam frequentemente fortalecidos com vitamina D, eles provêm apenas uma pequena porcentagem dos 600 UI recomendados para nossa ingestão diária.

Por essa razão, não é raro que suplementos de vitamina D sejam recomendados, especialmente para populações vivendo em regiões onde há menor incidência solar. Os suplementos estão disponíveis tanto em forma de vitamina D2 como D3: mas qual delas é melhor para nossa saúde?

Vitamina D2 vs D3

A medicina há tempos já considerou as duas vitaminas como “equivalentes e intercambiáveis”, de acordo com um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition. Essas noções, entretanto, são muito desatualizadas: as duas formas de vitamina D foram consideradas equivalentes baseado em suas capacidades de prevenir raquitismo em crianças em estudos realizados há mais de 70 anos.

Hoje em dia, o status da vitamina D é determinado por um fator mais quantificável e fácil de medir: a presença dos seus metabólitos intermediários, os 25-hidróxi-vitamina D (calcifediol).

Tanto a vitamina D2 quanto a D3 são biologicamente inertes em suas primeiras sínteses e precisam passar por duas modificações químicas para se tornarem ativas: a primeira no fígado e a segunda nos rins.

Ambas passam pela mesma modificação no fígado e emergem como compostos separados, 25-hidróxi-vitamina D2 ou D3, mas são generalizadas pelo nome calcifediol. O calcifediol é o marcador clínico utilizado para determinar o status da vitamina D e também é o precursor imediato da forma ativa da vitamina D.

Nos rins, o calcifediol é modificado quimicamente pela última vez, sendo transformado em um composto conhecido como calcitriol (1,25-dihidroxicholecalciferol D2 ou D3), o hormônio esteróide com atividade biológica que é liberado para a circulação.

O surgimento do calcifediol como o marcador para a vitamina D proveu uma medida quantificável da resposta biológica do corpo à diferentes formas da vitamina D. Estudos recentes inclusive sugerem que as duas provitaminas diferem significantemente em suas habilidades para elevar os níveis de calcifediol.

De acordo com um estudo clínico, a vitamina D3 é “mais eficaz em elevar a concentração de soro 25(OH)D [calcifediol] do que a vitamina D2” devido à sutis diferenças em seus ciclos de vida metabólicos, que estão além do escopo desta análise.

Por outro lado, os metabólitos de vitamina D2 mostram uma baixa capacidade de ligar-se à proteínas de ligação da vitamina D no plasma, sugerindo reduzida habilidade para funções fisiológicas.

A vitamina D3 também é considerada mais potente por especialistas, além de menos tóxica do que a D2 quando administrada em altas doses. Mesmo considerações mais práticas, como preços semelhantes e a maior durabilidade dos suplementos de D3, parecem favorecer a vitamina D3 em relação à vitamina D2.

Um grande número de evidências sugerem que a vitamina D3 deve ter preferências entre as formas de vitamina D disponíveis em suplementos, enquanto a vitamina D2 poderia ser deixada de lado.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HOUGHTON, Lisa A.; VIETH, Reinhold. The case against ergocalciferol (vitamin D2) as a vitamin supplement. The American journal of clinical nutrition, v. 84, n. 4, p. 694-697, 2006. (artigo)

TRIPKOVIC, Laura et al. Comparison of vitamin D2 and vitamin D3 supplementation in raising serum 25-hydroxyvitamin D status: a systematic review and meta-analysis. The American journal of clinical nutrition, v. 95, n. 6, p. 1357-1364, 2012.

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