Como calcular a eficácia de suplementos de zinco

Saber escolher um suplemento alimentar que atenda às necessidades de seu corpo é fundamental para garantir os nutrientes que você busca. Neste artigo vamos mostrar como calculamos a eficácia dos suplementos de zinco.

Ao contrário de avaliações subjetivas de consumidores e exageros de marketing, nós da equipe Labdoor confiamos em pesquisas científicas que confirmam nossas avaliações. Vamos mostrar alguns dos pontos que levamos em consideração quando analisamos suplementos e que você também pode conferir.

1) Formulação dos suplementos de zinco

A formulação dos suplementos de zinco afeta a percentagem do mineral que você vai receber com o suplemento e o quão bem ele será absorvido. Essas duas características são fatores considerados nos rankings de qualidade dos suplementos de zinco.

Zinco elementar

Quando a equipe de profissionais da Labdoor faz avaliações de suplementos, usamos o “zinco elementar” em nossos cálculos de precisão, segurança e eficácia. A percentagem de zinco elementar presente em um suplemento depende dos outros elementos químicos unidos ao zinco em si.

Por exemplo, o zinco pode ser formado como óxido de zinco, que tem 80% de concentração de zinco elementar, ou como gluconato de zinco, que contém apenas 14%. Em resumo, você precisa seis vezes mais gluconato de zinco do que óxido de zinco para consumir a mesma quantidade de zinco elementar.

O zinco pode ser vendido em outras numerosas formulações e cada uma terá diferentes porcentagens de zinco elementar. Essas formulações incluem (mas não são limitadas a, acetato de zinco, citrato de zinco, cloreto de zinco, sulfato de zinco, zinco poliascorbato e monometionina de zinco.

Biodisponibilidade

Para cada formulação do suplemento de zinco, também é fundamental avaliar a biodisponibilidade, ou a seja, a fração da dose de um suplemento que realmente chega à nossa corrente sanguínea comparado com outras formulações.

A biodisponibilidade varia de acordo com a formulação e não necessariamente é correlacionada à quantidade de zinco elementar. O óxido de zinco, por exemplo, tem uma elevada percentagem de zinco elementar (80%), mas estudos clínicos mostram que apenas uma pequena porção do zinco nessa forma é prontamente absorvida.

Por outro lado, a monometionina de zinco, no qual o zinco é um aminoácido quelato, contém apenas 21% de zinco elementar, mas tem uma das maiores biodisponibilidades dentre todas as formulações de zinco.

A hipótese criada por cientistas é que isso ocorre devido a um mecanismo em nossas paredes intestinais que são responsáveis especificamente pela absorção de aminoácidos.

2) Farmacodinâmica

Estudos mostram que os suplementos de zinco são absorvidos da melhor forma quando administrados em certas doses específicas – o aumento da dose acima desse nível diminui progressivamente os benefícios em termos de absorção do mineral.

Quando nossa equipe analisa suplementos, usamos um gráfico para precisar a classificação de eficácia de acordo com a dose. Após descobrir quanto de um suplemento de zinco está disponível para absorção de acordo com sua formulação, observamos em que ponto do gráfico essa quantidade se encaixa, em uma curva de ingestão versus quantidades absorvidas, como mostrado abaixo.

Curva dose e absorção de suplementos de zinco

Nesta curva, você pode ver que o aumento de ingestão de 5 para 10 mg de zinco elementar produz um subsequente crescimento de cerca de 4 mg na absorção. Já em uma dose de 20 mg de zinco, aumentar a quantidade para 30 mg apenas aumenta a absorção em 0.2 mg.

Esse benefício decrescente de altas doses ocorre até o corpo alcançar um limite de absorção de zinco. No algoritmo de eficácia da Labdoor, quando os produtos se aproximam da parte plana do gráfico, eles também atingem o limite em termos das notas que recebem em nossa classificação de eficácia.

3) Ingestão Diária Recomendada (IDR) e Nível Máximo de Ingestão Tolerável (NMIT)

Além dos componentes inerentes de suplementos de zinco e suas formulações mencionados acima, a equipe Labdoor também leva em conta se a dose ofertada pelo produto vai ao encontro dos valores estabelecidos para evitar deficiências nutricionais ou se esses valores são excedidos.

Esses valores são conhecidos respectivamente como Ingestão Diária Recomendada (IDR) e Nível Máximo de Ingestão Tolerável (do inglês Tolerable Upper Intake Limits). No Brasil,  eles são publicados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), com base nas Recommended Dietary Allowances (RDA) – que são prescritas pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos (Institute of Medicine), uma divisão da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

No caso dos suplementos de zinco, a IDR para adultos acima de 18 anos é 11 mg para homens e 8 mg para mulheres, 11 mg para gestantes e 12 mg para mulheres em fase de amamentação. Já o NMIT para esses grupos é 40 mg. Qualquer produto com doses menores da IDR ou acima da NMIT são penalizados.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DRENO, B. et al. Low doses of zinc gluconate for inflammatory acne. Acta Dermatovener (Stokholm), v. 69, p. 541-3, 1989. [Artigo]

GUILLEM, A. et al. In vitro dialyzability of zinc from different salts used in the supplementation of infant formulas. Biological trace element research, v. 75, n. 1-3, p. 11-19, 2000. [Artigo]

KREBS, Nancy F. Overview of zinc absorption and excretion in the human gastrointestinal tract. The Journal of nutrition, v. 130, n. 5, p. 1374S-1377S, 2000. [Artigo]

MAYO CLINIC. Drugs and Supplements – Zinc Safety. Patient Care & Health Info. Disponível em: <http://www.mayoclinic.org/drugs-supplements/zinc/safety/hrb-20060638>. Acesso em: 30 de out. 2016.

NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH et al. Zinc: fact sheet for health professionals. Disponível em: <https://ods.od.nih.gov/factsheets/Zinc-HealthProfessional/>. Acesso em: 30 de out. 2016.

ROSADO, Jorge L. et al. Absorption of zinc sulfate, methionine, and polyascorbate in the presence and absence of a plant-based rural Mexican diet. Nutrition Research, v. 13, n. 10, p. 1141-1151, 1993. [Artigo]

SAPER, Robert B.; RASH, Rebecca. Zinc: an essential micronutrient. American family physician, v. 79, n. 9, p. 768, 2009. [Artigo]

SARDANA, Kabir; CHUGH, Shikha; GARG, Vijay K. The role of zinc in acne and prevention of resistance: have we missed the “base” effect. Int J Dermatol, v. 53, n. 1, p. 125-7, 2014. [Artigo]

TRAN, Cuong D. et al. Zinc absorption as a function of the dose of zinc sulfate in aqueous solution. The American journal of clinical nutrition, v. 80, n. 6, p. 1570-1573, 2004. [Artigo]

WEGMÜLLER, Rita et al. Zinc absorption by young adults from supplemental zinc citrate is comparable with that from zinc gluconate and higher than from zinc oxide. The Journal of nutrition, v. 144, n. 2, p. 132-136, 2014. [Artigo]

WOLFE, Shari Anne et al. Zinc status of a group of pregnant adolescents at 36 weeks gestation living in southern Ontario. Journal of the American College of Nutrition, v. 13, n. 2, p. 154-164, 1994. [Artigo]
Time formado por redatores com pós graduação e/ou doutorado nas áreas de saúde, dieta, suplementação e/ou treino, além de convidados especialistas em suas áreas.

Como calcular a eficácia de suplementos de zinco

Saber escolher um suplemento alimentar que atenda às necessidades de seu corpo é fundamental para garantir os nutrientes que você busca. Neste artigo vamos mostrar como calculamos a eficácia dos suplementos de zinco.

Ao contrário de avaliações subjetivas de consumidores e exageros de marketing, nós da equipe Labdoor confiamos em pesquisas científicas que confirmam nossas avaliações. Vamos mostrar alguns dos pontos que levamos em consideração quando analisamos suplementos e que você também pode conferir.

1) Formulação dos suplementos de zinco

A formulação dos suplementos de zinco afeta a percentagem do mineral que você vai receber com o suplemento e o quão bem ele será absorvido. Essas duas características são fatores considerados nos rankings de qualidade dos suplementos de zinco.

Zinco elementar

Quando a equipe de profissionais da Labdoor faz avaliações de suplementos, usamos o “zinco elementar” em nossos cálculos de precisão, segurança e eficácia. A percentagem de zinco elementar presente em um suplemento depende dos outros elementos químicos unidos ao zinco em si.

Por exemplo, o zinco pode ser formado como óxido de zinco, que tem 80% de concentração de zinco elementar, ou como gluconato de zinco, que contém apenas 14%. Em resumo, você precisa seis vezes mais gluconato de zinco do que óxido de zinco para consumir a mesma quantidade de zinco elementar.

O zinco pode ser vendido em outras numerosas formulações e cada uma terá diferentes porcentagens de zinco elementar. Essas formulações incluem (mas não são limitadas a, acetato de zinco, citrato de zinco, cloreto de zinco, sulfato de zinco, zinco poliascorbato e monometionina de zinco.

Biodisponibilidade

Para cada formulação do suplemento de zinco, também é fundamental avaliar a biodisponibilidade, ou a seja, a fração da dose de um suplemento que realmente chega à nossa corrente sanguínea comparado com outras formulações.

A biodisponibilidade varia de acordo com a formulação e não necessariamente é correlacionada à quantidade de zinco elementar. O óxido de zinco, por exemplo, tem uma elevada percentagem de zinco elementar (80%), mas estudos clínicos mostram que apenas uma pequena porção do zinco nessa forma é prontamente absorvida.

Por outro lado, a monometionina de zinco, no qual o zinco é um aminoácido quelato, contém apenas 21% de zinco elementar, mas tem uma das maiores biodisponibilidades dentre todas as formulações de zinco.

A hipótese criada por cientistas é que isso ocorre devido a um mecanismo em nossas paredes intestinais que são responsáveis especificamente pela absorção de aminoácidos.

2) Farmacodinâmica

Estudos mostram que os suplementos de zinco são absorvidos da melhor forma quando administrados em certas doses específicas – o aumento da dose acima desse nível diminui progressivamente os benefícios em termos de absorção do mineral.

Quando nossa equipe analisa suplementos, usamos um gráfico para precisar a classificação de eficácia de acordo com a dose. Após descobrir quanto de um suplemento de zinco está disponível para absorção de acordo com sua formulação, observamos em que ponto do gráfico essa quantidade se encaixa, em uma curva de ingestão versus quantidades absorvidas, como mostrado abaixo.

Curva dose e absorção de suplementos de zinco

Nesta curva, você pode ver que o aumento de ingestão de 5 para 10 mg de zinco elementar produz um subsequente crescimento de cerca de 4 mg na absorção. Já em uma dose de 20 mg de zinco, aumentar a quantidade para 30 mg apenas aumenta a absorção em 0.2 mg.

Esse benefício decrescente de altas doses ocorre até o corpo alcançar um limite de absorção de zinco. No algoritmo de eficácia da Labdoor, quando os produtos se aproximam da parte plana do gráfico, eles também atingem o limite em termos das notas que recebem em nossa classificação de eficácia.

3) Ingestão Diária Recomendada (IDR) e Nível Máximo de Ingestão Tolerável (NMIT)

Além dos componentes inerentes de suplementos de zinco e suas formulações mencionados acima, a equipe Labdoor também leva em conta se a dose ofertada pelo produto vai ao encontro dos valores estabelecidos para evitar deficiências nutricionais ou se esses valores são excedidos.

Esses valores são conhecidos respectivamente como Ingestão Diária Recomendada (IDR) e Nível Máximo de Ingestão Tolerável (do inglês Tolerable Upper Intake Limits). No Brasil,  eles são publicados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), com base nas Recommended Dietary Allowances (RDA) – que são prescritas pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos (Institute of Medicine), uma divisão da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

No caso dos suplementos de zinco, a IDR para adultos acima de 18 anos é 11 mg para homens e 8 mg para mulheres, 11 mg para gestantes e 12 mg para mulheres em fase de amamentação. Já o NMIT para esses grupos é 40 mg. Qualquer produto com doses menores da IDR ou acima da NMIT são penalizados.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DRENO, B. et al. Low doses of zinc gluconate for inflammatory acne. Acta Dermatovener (Stokholm), v. 69, p. 541-3, 1989. [Artigo]

GUILLEM, A. et al. In vitro dialyzability of zinc from different salts used in the supplementation of infant formulas. Biological trace element research, v. 75, n. 1-3, p. 11-19, 2000. [Artigo]

KREBS, Nancy F. Overview of zinc absorption and excretion in the human gastrointestinal tract. The Journal of nutrition, v. 130, n. 5, p. 1374S-1377S, 2000. [Artigo]

MAYO CLINIC. Drugs and Supplements – Zinc Safety. Patient Care & Health Info. Disponível em: <http://www.mayoclinic.org/drugs-supplements/zinc/safety/hrb-20060638>. Acesso em: 30 de out. 2016.

NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH et al. Zinc: fact sheet for health professionals. Disponível em: <https://ods.od.nih.gov/factsheets/Zinc-HealthProfessional/>. Acesso em: 30 de out. 2016.

ROSADO, Jorge L. et al. Absorption of zinc sulfate, methionine, and polyascorbate in the presence and absence of a plant-based rural Mexican diet. Nutrition Research, v. 13, n. 10, p. 1141-1151, 1993. [Artigo]

SAPER, Robert B.; RASH, Rebecca. Zinc: an essential micronutrient. American family physician, v. 79, n. 9, p. 768, 2009. [Artigo]

SARDANA, Kabir; CHUGH, Shikha; GARG, Vijay K. The role of zinc in acne and prevention of resistance: have we missed the “base” effect. Int J Dermatol, v. 53, n. 1, p. 125-7, 2014. [Artigo]

TRAN, Cuong D. et al. Zinc absorption as a function of the dose of zinc sulfate in aqueous solution. The American journal of clinical nutrition, v. 80, n. 6, p. 1570-1573, 2004. [Artigo]

WEGMÜLLER, Rita et al. Zinc absorption by young adults from supplemental zinc citrate is comparable with that from zinc gluconate and higher than from zinc oxide. The Journal of nutrition, v. 144, n. 2, p. 132-136, 2014. [Artigo]

WOLFE, Shari Anne et al. Zinc status of a group of pregnant adolescents at 36 weeks gestation living in southern Ontario. Journal of the American College of Nutrition, v. 13, n. 2, p. 154-164, 1994. [Artigo]

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