Os possíveis benefícios dos probióticos para o cérebro e o humor

Você sabia que seu humor pode estar intimamente relacionado ao seu intestino? Pesquisas recentes sobre probióticos parecem apontar para uma hipótese há muito tempo defendida pelas correntes orientais de medicina: o equilíbrio do intestino pode interferir na saúde do cérebro.

Em primeiro lugar: O que são probióticos?

Probióticos são pequenas doses de bactérias benignas que estimulam a proliferação de bactérias boas no corpo e equilibram nosso microbioma.

O homem vem utilizando os probióticos por milênios para saborizar alimentos e melhorar a digestão, mas apenas agora a ciência vem nos mostrar como eles também podem beneficiar o cérebro, desde o humor até a habilidade de manter a atenção.

SAIBA MAIS – Probióticos: conheça o incrível potencial de cura das bactérias do bem

Confira 3 benefícios surpreendentes dos probióticos para o cérebro:

1) Depressão

Pesquisadores descobriram que pessoas com depressão em geral possuem altos níveis de cepas bacterianas específicas em seus intestinos. Em três estudos diferentes, pesquisadores encontraram elevados níveis de bactérias Bacteroidales em pessoas deprimidas em diferentes partes do mundo. Interessantes notarmos que as Bacteroidales também foram encontradas em pessoas sofrendo de síndrome de fadiga crônica.

Enquanto não podemos afirmar com certeza se Bacteroidales causam a depressão ou se a depressão causa a proliferação destas bactérias, pesquisas parecem reforçar a ideia de que uma dieta incluindo probióticos pode ajudar a balancear as diferentes cepas bacterianas do intestino promovendo um humor mais positivo. Por exemplo, um estudo recente comparou mudanças no humor e energia em mulheres que ingeriram iogurte probiótico contendo Bifidobacterium Lactis, Streptococcus thermophiles, Lactobacillus bulgaricus, e Lactococcus lactis, e mulheres que ingeriram placebo. Todas as mulheres que ingeriram iogurte probiótico demonstraram melhora na atividade cerebral relacionada a humor e energia, enquanto as pacientes que ingeriram iogurte placebo não tiveram alterações positivas.

Probióticos e o cérebro

2) Ansiedade e Estresse

Para a média das pessoas que sofrem com ansiedade e estresse, estudos recentes demonstram que ingerir probióticos regularmente pode ajudar a lidar com ambos os problemas. Em um estudo pesquisadores aumentaram os níveis de bactérias boas nos intestinos de pacientes que sofriam de ansiedade e depressão e descobriram que a preocupação com coisas negativas diminuiu e o foco em coisas positivas aumentou. Em testes coadjuvantes realizados com roedores que ingeriram Lactobacillus rhamnosus houve uma redução na ansiedade relacionada a hormônios e também uma menor atividade do hipocampo associada com ansiedade.

Para conectar os resultados de ambas as pesquisas, um grupo de pesquisadores decidiu testar probióticos em ratos e humanos simultaneamente. Em ambos os casos foi administrada uma dieta incluindo Lactobacillus helveticus e Bifidobacterium longum, duas cepas de bactérias probióticas que já haviam comprovado seu poder no alívio de dores de estômago relacionadas a estresse. O resultado do experimento foi que os probióticos reduziram o comportamento responsivo a estresse em ratos e também reduziram ansiedade, estresse, depressão e raiva em humanos.

Estas incríveis descobertas estão fazendo os médicos desenvolverem novas teorias a serem testadas. Por exemplo, Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) é o resultado de se sobreviver a uma situação de estresse severo, como guerra ou abuso. Alguns pesquisadores estão investigando se balancear as bactérias intestinais com probióticos poderia reduzir o risco de TEPT ou mesmo ajudar a tratá-lo, em paralelo a terapias tradicionais. A hipótese é que o tratamento probiótico possa proteger as pessoas dos efeitos mais severos do estresse no cérebro.

SAIBA MAIS – Felicidade é essencial para manter o corpo saudável

3) Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) em crianças

Pesquisadores começaram a examinar como a dieta das crianças afeta o TDAH e como o desenvolvimento de seus sistemas digestivos afeta o cérebro. Pouquíssimas pesquisas foram realizadas neste sentido, mas um estudo publicado em 2015 com duração de 13 anos tem resultados promissores. No estudo, foi ministrado placebo e tratamento probióticos para bebês de 6 meses de idade. As crianças foram acompanhadas até os 13 anos de idade e o resultado foi surpreendente. Nenhuma das crianças que receberam tratamento probiótico desenvolveram TDAH, enquanto 17,1% das crianças que receberam placebo desenvolveram o transtorno.

Mais pesquisas são necessárias para se entender completamente os benefícios dos probióticos na prevenção do TDAH, mas estes testes evidenciam que ministrar bactérias benéficas para pacientes com intestino em desenvolvimento possui efeitos positivos para toda a vida.

Nós ainda temos muito a aprender

Apesar dos resultados animadores de alguns estudos, ainda existem muitos pontos que permanecem obscuros. Mais pesquisas são necessárias para o entendimento dos efeitos dos probióticos em nosso cérebro e a relação entre o intestino e o humor.

Lembre-se, sua saúde é assunto sério. Portanto, converse com seu médico antes de considerar tomar qualquer medicamento. E se você se sente deprimido, ansioso ou estressado, a visita a um especialista se faz ainda mais importante.

Referências

  1. Co-author: Benjamin Becker
  2. Schmidt, K., Cowen, P. J., Harmer, C. J., et al. (2014). Prebiotic intake reduces the waking cortisol response and alters emotional bias in healthy volunteers. Psychopharmacology, 232(10), 1793-1801. [link]
  3. Bravo, J. A., Forsythe, P., Chew, M. V., et al. (2011). Ingestion of Lactobacillus strain regulates emotional behavior and central GABA receptor expression in a mouse via the vagus nerve. Proceedings of the National Academy of Sciences, 108(38), 16050-16055. [link]
  4. Messaoudi, M., Lalonde, R., Violle, N., et al. (2010). Assessment of psychotropic-like properties of a probiotic formulation ( Lactobacillus helveticus R0052 and Bifidobacterium longum R0175) in rats and human subjects. British Journal of Nutrition Br J Nutr, 105(05), 755-764. [link]
  5. Leclercq, S., Forsythe, P., & Bienenstock, J. (2016). Posttraumatic Stress Disorder: Does the Gut Microbiome Hold the Key? The Canadian Journal of Psychiatry, 61(4), 204-213. [link]
  6. Naseribafrouei, A., Hestad, K., Avershina, E., et al. (2014). Correlation between the human fecal microbiota and depression. Neurogastroenterol. Motil. Neurogastroenterology & Motility, 26(8), 1155-1162. [link]
  7. Frémont, M., Coomans, D., Massart, S., & Meirleir, K. D. (2013). High-throughput 16S rRNA gene sequencing reveals alterations of intestinal microbiota in myalgic encephalomyelitis/chronic fatigue syndrome patients. Anaerobe, 22, 50-56. [link]
  8. Saulnier, D. M., Riehle, K., Mistretta, T., et al. (2011). Gastrointestinal Microbiome Signatures of Pediatric Patients With Irritable Bowel Syndrome. Gastroenterology, 141(5), 1782-1791. [link]
  9. Jiang, H., Ling, Z., Zhang, Y., et al. (2015). Altered fecal microbiota composition in patients with major depressive disorder. Brain, Behavior, and Immunity, 48, 186-194. [link]
  10. Tillisch, K., Labus, J., Kilpatrick, L., et al. (2013). Consumption of Fermented Milk Product With Probiotic Modulates Brain Activity. Gastroenterology, 144(7). [link]
  11. Pärtty, A., Kalliomäki, M., Wacklin, P., et al. (2015). A possible link between early probiotic intervention and the risk of neuropsychiatric disorders later in childhood: A randomized trial. Pediatr Res Pediatric Research, 77(6), 823-828. [link]
  12. Forsythe, P., Kunze, W., & Bienenstock, J. (2016). Moody microbes or fecal phrenology: What do we know about the microbiota-gut-brain axis? BMC Medicine BMC Med, 14(1). [link]
Writing Labdoor
Time formado por redatores com pós graduação e/ou doutorado nas áreas de saúde, dieta, suplementação e/ou treino, além de convidados especialistas em suas áreas.

Os possíveis benefícios dos probióticos para o cérebro e o humor

Você sabia que seu humor pode estar intimamente relacionado ao seu intestino? Pesquisas recentes sobre probióticos parecem apontar para uma hipótese há muito tempo defendida pelas correntes orientais de medicina: o equilíbrio do intestino pode interferir na saúde do cérebro.

Em primeiro lugar: O que são probióticos?

Probióticos são pequenas doses de bactérias benignas que estimulam a proliferação de bactérias boas no corpo e equilibram nosso microbioma.

O homem vem utilizando os probióticos por milênios para saborizar alimentos e melhorar a digestão, mas apenas agora a ciência vem nos mostrar como eles também podem beneficiar o cérebro, desde o humor até a habilidade de manter a atenção.

SAIBA MAIS – Probióticos: conheça o incrível potencial de cura das bactérias do bem

Confira 3 benefícios surpreendentes dos probióticos para o cérebro:

1) Depressão

Pesquisadores descobriram que pessoas com depressão em geral possuem altos níveis de cepas bacterianas específicas em seus intestinos. Em três estudos diferentes, pesquisadores encontraram elevados níveis de bactérias Bacteroidales em pessoas deprimidas em diferentes partes do mundo. Interessantes notarmos que as Bacteroidales também foram encontradas em pessoas sofrendo de síndrome de fadiga crônica.

Enquanto não podemos afirmar com certeza se Bacteroidales causam a depressão ou se a depressão causa a proliferação destas bactérias, pesquisas parecem reforçar a ideia de que uma dieta incluindo probióticos pode ajudar a balancear as diferentes cepas bacterianas do intestino promovendo um humor mais positivo. Por exemplo, um estudo recente comparou mudanças no humor e energia em mulheres que ingeriram iogurte probiótico contendo Bifidobacterium Lactis, Streptococcus thermophiles, Lactobacillus bulgaricus, e Lactococcus lactis, e mulheres que ingeriram placebo. Todas as mulheres que ingeriram iogurte probiótico demonstraram melhora na atividade cerebral relacionada a humor e energia, enquanto as pacientes que ingeriram iogurte placebo não tiveram alterações positivas.

Probióticos e o cérebro

2) Ansiedade e Estresse

Para a média das pessoas que sofrem com ansiedade e estresse, estudos recentes demonstram que ingerir probióticos regularmente pode ajudar a lidar com ambos os problemas. Em um estudo pesquisadores aumentaram os níveis de bactérias boas nos intestinos de pacientes que sofriam de ansiedade e depressão e descobriram que a preocupação com coisas negativas diminuiu e o foco em coisas positivas aumentou. Em testes coadjuvantes realizados com roedores que ingeriram Lactobacillus rhamnosus houve uma redução na ansiedade relacionada a hormônios e também uma menor atividade do hipocampo associada com ansiedade.

Para conectar os resultados de ambas as pesquisas, um grupo de pesquisadores decidiu testar probióticos em ratos e humanos simultaneamente. Em ambos os casos foi administrada uma dieta incluindo Lactobacillus helveticus e Bifidobacterium longum, duas cepas de bactérias probióticas que já haviam comprovado seu poder no alívio de dores de estômago relacionadas a estresse. O resultado do experimento foi que os probióticos reduziram o comportamento responsivo a estresse em ratos e também reduziram ansiedade, estresse, depressão e raiva em humanos.

Estas incríveis descobertas estão fazendo os médicos desenvolverem novas teorias a serem testadas. Por exemplo, Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) é o resultado de se sobreviver a uma situação de estresse severo, como guerra ou abuso. Alguns pesquisadores estão investigando se balancear as bactérias intestinais com probióticos poderia reduzir o risco de TEPT ou mesmo ajudar a tratá-lo, em paralelo a terapias tradicionais. A hipótese é que o tratamento probiótico possa proteger as pessoas dos efeitos mais severos do estresse no cérebro.

SAIBA MAIS – Felicidade é essencial para manter o corpo saudável

3) Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) em crianças

Pesquisadores começaram a examinar como a dieta das crianças afeta o TDAH e como o desenvolvimento de seus sistemas digestivos afeta o cérebro. Pouquíssimas pesquisas foram realizadas neste sentido, mas um estudo publicado em 2015 com duração de 13 anos tem resultados promissores. No estudo, foi ministrado placebo e tratamento probióticos para bebês de 6 meses de idade. As crianças foram acompanhadas até os 13 anos de idade e o resultado foi surpreendente. Nenhuma das crianças que receberam tratamento probiótico desenvolveram TDAH, enquanto 17,1% das crianças que receberam placebo desenvolveram o transtorno.

Mais pesquisas são necessárias para se entender completamente os benefícios dos probióticos na prevenção do TDAH, mas estes testes evidenciam que ministrar bactérias benéficas para pacientes com intestino em desenvolvimento possui efeitos positivos para toda a vida.

Nós ainda temos muito a aprender

Apesar dos resultados animadores de alguns estudos, ainda existem muitos pontos que permanecem obscuros. Mais pesquisas são necessárias para o entendimento dos efeitos dos probióticos em nosso cérebro e a relação entre o intestino e o humor.

Lembre-se, sua saúde é assunto sério. Portanto, converse com seu médico antes de considerar tomar qualquer medicamento. E se você se sente deprimido, ansioso ou estressado, a visita a um especialista se faz ainda mais importante.

Referências

  1. Co-author: Benjamin Becker
  2. Schmidt, K., Cowen, P. J., Harmer, C. J., et al. (2014). Prebiotic intake reduces the waking cortisol response and alters emotional bias in healthy volunteers. Psychopharmacology, 232(10), 1793-1801. [link]
  3. Bravo, J. A., Forsythe, P., Chew, M. V., et al. (2011). Ingestion of Lactobacillus strain regulates emotional behavior and central GABA receptor expression in a mouse via the vagus nerve. Proceedings of the National Academy of Sciences, 108(38), 16050-16055. [link]
  4. Messaoudi, M., Lalonde, R., Violle, N., et al. (2010). Assessment of psychotropic-like properties of a probiotic formulation ( Lactobacillus helveticus R0052 and Bifidobacterium longum R0175) in rats and human subjects. British Journal of Nutrition Br J Nutr, 105(05), 755-764. [link]
  5. Leclercq, S., Forsythe, P., & Bienenstock, J. (2016). Posttraumatic Stress Disorder: Does the Gut Microbiome Hold the Key? The Canadian Journal of Psychiatry, 61(4), 204-213. [link]
  6. Naseribafrouei, A., Hestad, K., Avershina, E., et al. (2014). Correlation between the human fecal microbiota and depression. Neurogastroenterol. Motil. Neurogastroenterology & Motility, 26(8), 1155-1162. [link]
  7. Frémont, M., Coomans, D., Massart, S., & Meirleir, K. D. (2013). High-throughput 16S rRNA gene sequencing reveals alterations of intestinal microbiota in myalgic encephalomyelitis/chronic fatigue syndrome patients. Anaerobe, 22, 50-56. [link]
  8. Saulnier, D. M., Riehle, K., Mistretta, T., et al. (2011). Gastrointestinal Microbiome Signatures of Pediatric Patients With Irritable Bowel Syndrome. Gastroenterology, 141(5), 1782-1791. [link]
  9. Jiang, H., Ling, Z., Zhang, Y., et al. (2015). Altered fecal microbiota composition in patients with major depressive disorder. Brain, Behavior, and Immunity, 48, 186-194. [link]
  10. Tillisch, K., Labus, J., Kilpatrick, L., et al. (2013). Consumption of Fermented Milk Product With Probiotic Modulates Brain Activity. Gastroenterology, 144(7). [link]
  11. Pärtty, A., Kalliomäki, M., Wacklin, P., et al. (2015). A possible link between early probiotic intervention and the risk of neuropsychiatric disorders later in childhood: A randomized trial. Pediatr Res Pediatric Research, 77(6), 823-828. [link]
  12. Forsythe, P., Kunze, W., & Bienenstock, J. (2016). Moody microbes or fecal phrenology: What do we know about the microbiota-gut-brain axis? BMC Medicine BMC Med, 14(1). [link]

Assine a Revista Labdoor

Scroll to top