Alzheimer tem cura? Protocolo promete praticamente acabar com os sintomas da Doença de Alzheimer

A Doença de Alzheimer ainda não tem cura, mas alguns cientistas afirmam ter obtido resultados significativos. Seria isso verdade? Confira no levantamento de diversas pesquisas feito pela Labdoor.

Mesmo que a maioria dos cientistas afirme que a cura do Alzheimer ainda não foi descoberta, essa não é a impressão que você terá ao ler notícias sobre os protocolos MEND [1] (tratamento contra o Alzheimer, em português ‘melhora metabólica para neurodegeneração’) ou Bredesen [2]. E não é a impressão que você terá ao fazer a leitura das pesquisas já publicadas sobre esses protocolos. Para ter uma ideia completa, é necessário conferir com outros especialistas da área e ler as pesquisas já feitas até agora.

(Nota do Editor: Quando citamos DA nesse artigo, estamos falando do Alzheimer tipo demência. A doença de Alzheimer em si não pode ser diagnosticada sem uma autópsia.)

Com a publicação de ambos os relatos de casos do MEND em 2014 [3] e 2016,[4]  o Dr. Dale Bredesen e seus colegas afirmaram obter uma “reversão do declínio cognitivo em pacientes com Alzheimer”. Eles chegaram a alegar que alguns de seus pacientes estão sem os sintomas do Alzheimer – essencialmente curados da doença de Alzheimer (DA). Mas isso ocorreu com apenas dez pacientes.

Agora, de acordo com o resumo do AAIC 2016 [5] (Conferência Internacional da Associação de Alzheimer), eles afirmam que 40% dos 76 pacientes com Alzheimer tratados por pelo menos 6 meses têm melhorado a sua função de memória, com base em “testes de neuropsicologia padrão”.

Temos algumas ressalvas.

Os pesquisadores do protocolo MEND estão reivindicando níveis de melhoria que nunca antes foram vistos em pacientes com Alzheimer. Essas são afirmações ousadas em uma indústria de pesquisas que tem lutado com todas as forças contra a doença.

Foi questionado [6]se o protocolo é uma tentativa de ganhar dinheiro com a ignorância das pessoas idosas e desesperadas. As taxas de participação para pacientes com Alzheimer chegam a até US$ 20.000 por ano [7].

Críticos da pesquisa apontam que os relatos de casos bem sucedidos não têm a mesma validade dos estudos clínicos randomizados [8] (cujos participantes são escolhidos de forma aleatória): relatos de casos mostram que algo talvez possa funcionar, mas apenas estudos clínicos randomizados podem provar se o tratamento é eficaz ou não.

Bredesen e seus colegas afirmam que um estudo clínico randomizado será realizado no futuro, mas por enquanto eles apenas continuam a se expandir globalmente [7]e trazer novos pacientes para o tratamento.

As medições de eficácia utilizadas no protocolo MEND não podem ser confiáveis sem uma população de controle. Os pesquisadores do MEND utilizaram apenas testes cognitivos, exames muito parecidos com aqueles que você veria na escola, para medir alterações na memória e na função mental.

Críticos observaram [6] que os participantes naturalmente ficavam melhores [9]em testes cognitivos a cada vez que passavam por eles. Essencialmente, a prática leva a perfeição, mesmo com o Alzheimer.

Sem um grupo de controle de pacientes com Alzheimer sem tratamento para se fazer a comparação, os pesquisadores do MEND não poderiam dizer se as melhorias vieram da prática ou do tratamento em si.

Afinal, o que é o protocolo MEND?

É uma medicina personalizada [10] – o regime de tratamento varia de paciente para paciente [11], baseado em suas características pessoais. Este é um ponto de preocupação para um crítico que afirmou [6]não termos dados suficientes (como será explicado adiante) para dominar o uso adequado da medicina individualizada para a Doença de Alzheimer.

O protocolo MEND completo é marca registrada e de propriedade exclusiva, mas a partir da comparação dos relatos de casos11 podemos deduzir os tratamentos que foram aplicados nos pacientes: comer menos carboidratos e não lanches, tomar melatonina e aumentar a quantidade de sono, fazer exercícios diários e tomar vitamina D3, CoQ10 e óleo de peixe.

Conforme casos relatados, o protocolo MEND consiste em:

  1. Exercitar-se pelo menos 4 vezes por semana
  2. Tomar 0,5 mg de melatonina toda noite
  3. Tentar aumentar o sono para 7-8 horas por noite
  4. Eliminar carboidratos simples da dieta
  5. Aumentar o consumo de frutas e vegetais, limitar a carne vermelha e não comer peixe de cativeiro
  6. Ter 12 horas entre o jantar e café da manhã; comer o jantar 3 horas antes de dormir
  7. Tomar vitamina B12, 1mg por dia
  8. Tomar vitamina D3, 2000 U.I. por dia
  9. Tomar CoQ10, 200mg por dia
  10. Tomar óleo de peixe com, pelo menos, 320mg de DHA e 180mg de EPA por dia

Além disso, alguns pacientes foram orientados a adicionar: Yoga, meditação, aumento da higiene oral, probióticos, vitaminas C e E, zinco, cúrcuma, uma variedade de outros suplementos, além de terapia hormonal para as mulheres.

Resta ver as evidências. Em última análise, não vimos os pacientes e não temos a experiência ou o treinamento do Dr. Bredesen e seus colegas, por isso não podemos dizer definitivamente se o protocolo MEND funciona ou não contra a Doença de Alzheimer. O que podemos fazer é olhar para cada tratamento individual e analisar os seus méritos. Confira abaixo.

A pesquisa real sobre o Alzheimer por trás de cada um dos tratamentos do protocolo MEND

Alzheimer tratamento

Exercício:

De todos os tratamentos, a evidência é mais forte para o exercício.

A pesquisa observacional e longitudinal mostra decisivamente que pessoas que se exercitam são muito menos propensas a desenvolver Alzheimer quando velhas. Quanto mais intenso e regular o exercício, menos provável que o Alzheimer vá se desenvolver [12, 13, 14 e 15].

Estudos estão agora examinando se o exercício regular pode ser usado para o tratamento de Alzheimer. Até agora, os resultados têm sido promissores, mas não conclusivos [16, 17 e 18].

Sono:

Sabemos que é um problema comum para pacientes com Alzheimer [19] e que eles têm problemas emocionais durante o dia depois de uma noite mal dormida. Infelizmente, a melatonina pode não ser útil para este grupo de pacientes [20, 21], mas foi comprovado que a atividade física melhora o sono [22]. Também não há qualquer pesquisa realizada para observar se o aumento da duração do sono pode melhorar os sintomas da DA.

Dieta:

O protocolo MEND pede aos pacientes para que eliminem qualquer adição de açúcares e carboidratos simples da dieta, que reduzam o consumo de carne e comam muito mais frutas e vegetais. Mesmo que isso geralmente seja uma boa recomendação para qualquer um de nós, há poucas pesquisas para comprovar a sua eficácia em pacientes com Alzheimer.

Pesquisadores têm investigado a ligação entre a resistência à insulina (como em pacientes com diabetes) e desenvolvimento de Alzheimer. Os resultados são inconclusivos [23, 24]. Até agora, tem sido observado que os biomarcadores de Alzheimer têm melhorado em roedores com dieta alta em proteína e baixa em carboidratos (cetogênica) [25]. Porém, isso é muito diferente de mostrar que uma dieta baixa em carboidratos pode tratar os sintomas de DA em seres humanos.

Vitamina B12:

Uma pesquisa confirmou que os pacientes com Alzheimer possuem níveis baixos de B12 [26, 27], mas há evidências conflitantes sobre a deficiência do B12 estar relacionada ao desenvolvimento da DA [28, 29]. De qualquer maneira, suplementos de B12 não parecem tratar os sintomas de Alzheimer [30].

Vitamina D3:

A vitamina D pode ter um papel importante para o Alzheimer. Uma pesquisa mostrou que os pacientes com a doença são frequentemente deficientes em vitamina D [31], e que as pessoas saudáveis com deficiência em vitamina D são mais propensas a desenvolver Alzheimer no futuro [32]. Um estudo também mostrou que uma combinação de memantina (medicamento para Alzheimer) e vitamina D melhorou a cognição em pacientes idosos com DA [33].

CoQ10:

A Coenzima Q10 é um antioxidante em nosso corpo que ajuda a converter alimentos em energia. Sabemos [34] que os níveis de Q10 naturais não são diferentes para pacientes com Alzheimer em comparação com a média das pessoas, mas há especulações de que a suplementação possa ajudar.

Os suplementos Q10 melhoraram os biomarcadores de Alzheimer [35] e os sinais de função cognitiva em estudos com ratos, mas nenhum teste foi publicado para seres humanos com DA, então ainda não sabemos se seria eficaz.

Óleo de peixe:

Embora tenha sido demonstrado que o óleo de peixe ajuda na progressão contra o déficit cognitivo ligeiro (DCL) na população idosa em geral, a substância mostrou benefícios mínimos em pacientes com Alzheimer [36, 37 e 38]. Suplementos de óleo de peixe muitas vezes são recomendados para pacientes com DA por seus efeitos cardiovasculares, mas eles não são normalmente usados para tratar os sintomas mentais de DA.

Conclusão

Dos tratamentos mostrados nestes estudos de caso, apenas os exercícios e a memantina + vitamina D têm provado conclusivamente, através de estudos controlados, benefícios cognitivos em pacientes com Alzheimer. Outros componentes do protocolo MEND, como a redução de carboidratos, aumento de sono, suplementação com CoQ10 e óleo de peixe podem ter alguns méritos, mas ainda não são comprovados.

Assim, mesmo que alguém com Alzheimer siga todos estes conselhos, é improvável que experimentem mais do que uma leve melhora em seus sintomas. Sem mais informações sobre os detalhes do protocolo MEND, nós acreditamos que seja improvável que ele possa melhorar dramaticamente os sintomas em pacientes com Alzheimer.

O Alzheimer é uma doença complexa, sem uma solução clara, e muitos de nós estão procurando por qualquer ajuda que pudermos encontrar. Estamos tentando considerar o protocolo MEND em todo o âmbito da investigação sobre o Alzheimer, a maioria dos quais ainda está sendo conduzida.

Em última análise, mudanças no estilo de vida como exercícios, dieta e vitaminas são promissores, mas provavelmente não vão causar grandes melhorias. No entanto, com certa expectativa, esta pesquisa mostra que a modificação do estilo de vida ainda é uma boa opção.

Se este artigo lhe ajudou, provavelmente ajudará outras pessoas. Então compartilhe-o!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. MUSES LABS. The MEND TM protocol. Disponível em: <https://museslabs.com/physicians/>. Acesso em: 16 de out. 2016.

2. MPI COGNITION. The Bredesen protocol. Disponível em: <https://www.mpicognition.com/protocol-overview>. Acesso em: 16 de out. 2016.

3. BREDESEN, Dale E. Reversal of cognitive decline: a novel therapeutic program. Aging (Albany NY), v. 6, n. 9, p. 707-717, 2014.

4. BREDESEN, Dale E. et al. Reversal of cognitive decline in Alzheimer's disease. Aging (Albany NY), v. 8, n. 6, p. 1250, 2016.

5. AAIC 2016. Initial Development, Application, and Results from a Clinical Informatics Platform That Enables a Multi-Modal Treatment Protocol for Alzheimer's Disease. Disponível em: <https://ep70.eventpilotadmin.com/web/page.php?page=IntHtml&project=AAIC16&id=a11337>. Acesso em: 16 de out. 2016.

6. SCIENCE-BASED MEDICINE. MEND Protocol For Alzheimer’s Disease. Disponível em: <https://www.sciencebasedmedicine.org/mend-protocol-for-alzheimers-disease/>Acesso em: 16 de out. 2016.

7. NEW ZEALAND LISTENER. Professor Dale Bredesen’s Alzheimer’s treatment now on offer in New Zealand. Disponível em: <http://www.listener.co.nz/current-affairs/health-current-affairs/bredesens-alzheimers-treatment/>Acesso em: 17 de out. 2016.

8. INTRODUCTION TO EVIDENCE-BASED PRACTICE. Type of study. Disponível em: <http://guides.mclibrary.duke.edu/c.php?g=158201&p=1036068>Acesso em: 17 de out. 2016.

9. LIEVENS, Filip; REEVE, Charlie L.; HEGGESTAD, Eric D. An examination of psychometric bias due to retesting on cognitive ability tests in selection settings. Journal of Applied Psychology, v. 92, n. 6, p. 1672, 2007.

10. SCIENCE-BASED MEDICINE. Personalized Medicine Bait and Switch. Disponível em: <https://www.sciencebasedmedicine.org/personalized-medicine-bait-and-switch/>Acesso em: 17 de out. 2016.

11. BREDESEN, Dale E. Reversal of cognitive decline: a novel therapeutic program. Aging (Albany NY), v. 6, n. 9, p. 707-717, 2014.

12. SCARMEAS, Nikolaos et al. Physical activity, diet, and risk of Alzheimer disease. Jama, v. 302, n. 6, p. 627-637, 2009.

13. LAURIN, Danielle et al. Physical activity and risk of cognitive impairment and dementia in elderly persons. Archives of neurology, v. 58, n. 3, p. 498-504, 2001.

14. YOSHITAKE, T. et al. Incidence and risk factors of vascular dementia and Alzheimer's disease in a defined elderly Japanese population The Hisayama Study. Neurology, v. 45, n. 6, p. 1161-1168, 1995.

15. HAMER, M.; CHIDA, Y. Physical activity and risk of neurodegenerative disease: a systematic review of prospective evidence. Psychological medicine, v. 39, n. 01, p. 3-11, 2009.

16. ROLLAND, Yves; VAN KAN, Gabor Abellan; VELLAS, Bruno. Physical activity and Alzheimer's disease: from prevention to therapeutic perspectives. Journal of the American Medical Directors Association, v. 9, n. 6, p. 390-405, 2008.

17. TERI, Linda et al. Exercise plus behavioral management in patients with Alzheimer disease: a randomized controlled trial. Jama, v. 290, n. 15, p. 2015-2022, 2003.

18. AHLSKOG, J. Eric et al. Physical exercise as a preventive or disease-modifying treatment of dementia and brain aging. In: Mayo Clinic Proceedings. Elsevier, 2011. p. 876-884.

19. SONG, Yeonsu et al. Sleep in older adults with Alzheimer's disease. Journal of Neuroscience Nursing, v. 42, n. 4, p. 190-198, 2010.

20. SINGER, Clifford et al. A multicenter, placebo-controlled trial of melatonin for sleep disturbance in Alzheimer’s disease. Sleep, v. 26, n. 7, p. 893, 2003.

21. CARDINALI, D. P. et al. The use of melatonin in Alzheimer's disease. Neuro endocrinology letters, v. 23, p. 20-23, 2002.

22. MCCURRY, Susan M. et al. Increasing walking and bright light exposure to improve sleep in community‐dwelling persons with Alzheimer's Disease: results of a randomized, controlled trial. Journal of the American Geriatrics Society, v. 59, n. 8, p. 1393-1402, 2011.

23. WATSON, G. Stennis; CRAFT, Suzanne. The role of insulin resistance in the pathogenesis of Alzheimer’s disease. CNS drugs, v. 17, n. 1, p. 27-45, 2003.

24. LUCHSINGER, J. A.; TANG, M. X.; MAYEUX, R. Glycemic load and risk of Alzheimer's disease. The journal of nutrition, health & aging, v. 11, n. 3, p. 238, 2007.

25. VAN DER AUWERA, Ingrid et al. A ketogenic diet reduces amyloid beta 40 and 42 in a mouse model of Alzheimer's disease. Nutrition & metabolism, v. 2, n. 1, p. 1, 2005.

26. IKEDA, Toshimi et al. Vitamin B12 levels in serum and cerebrospinal fluid of people with Alzheimer's disease. Acta Psychiatrica Scandinavica, v. 82, n. 4, p. 327-329, 1990.

27. MCCADDON, Andrew; HUDSON, Peter R. L-methylfolate, methylcobalamin, and N-acetylcysteine in the treatment of Alzheimer's disease-related cognitive decline. CNS spectrums, v. 15, n. S1, p. 2-5, 2010.

28. WANG, Hui-Xin et al. Vitamin B12 and folate in relation to the development of Alzheimer’s disease. Neurology, v. 56, n. 9, p. 1188-1194, 2001.

29. MORRIS, Martha Clare et al. Dietary folate and vitamins B-12 and B-6 not associated with incident Alzheimer's disease. Journal of Alzheimer's Disease, v. 9, n. 4, p. 435-443, 2006.

30. SUN, Yu et al. Efficacy of multivitamin supplementation containing vitamins B 6 and B 12 and folic acid as adjunctive treatment with a cholinesterase inhibitor in Alzheimer's disease: a 26-week, randomized, double-blind, placebo-controlled study in Taiwanese patients. Clinical therapeutics, v. 29, n. 10, p. 2204-2214, 2007.

31. SATO, Y.; ASOH, T.; OIZUMI, K. High prevalence of vitamin D deficiency and reduced bone mass in elderly women with Alzheimer’s disease. Bone, v. 23, n. 6, p. 555-557, 1998.

32. LITTLEJOHNS, Thomas J. et al. Vitamin D and the risk of dementia and Alzheimer disease. Neurology, v. 83, n. 10, p. 920-928, 2014.

33. ANNWEILER, Cédric et al. Effectiveness of the combination of memantine plus vitamin D on cognition in patients with Alzheimer disease: a pre-post pilot study. Cognitive and Behavioral Neurology, v. 25, n. 3, p. 121-127, 2012.

34. DE BUSTOS, F. et al. Serum levels of coenzyme Q10 in patients with Alzheimer's disease. Journal of neural transmission, v. 107, n. 2, p. 233-239, 2000.

35. DUMONT, Magali et al. Coenzyme Q10 decreases amyloid pathology and improves behavior in a transgenic mouse model of Alzheimer's disease. Journal of Alzheimer's Disease, v. 27, n. 1, p. 211-223, 2011.

36. CHIU, Chih-Chiang et al. The effects of omega-3 fatty acids monotherapy in Alzheimer's disease and mild cognitive impairment: a preliminary randomized double-blind placebo-controlled study. Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry, v. 32, n. 6, p. 1538-1544, 2008.

37. DAIELLO, Lori A. et al. Association of fish oil supplement use with preservation of brain volume and cognitive function. Alzheimer's & Dementia, v. 11, n. 2, p. 226-235, 2015.

38. FREUND‐LEVI, Yvonne et al. Omega‐3 supplementation in mild to moderate Alzheimer's disease: effects on neuropsychiatric symptoms. International journal of geriatric psychiatry, v. 23, n. 2, p. 161-169, 2008.
Time formado por redatores com pós graduação e/ou doutorado nas áreas de saúde, dieta, suplementação e/ou treino, além de convidados especialistas em suas áreas.

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Alzheimer tem cura? Protocolo promete praticamente acabar com os sintomas da Doença de Alzheimer

A Doença de Alzheimer ainda não tem cura, mas alguns cientistas afirmam ter obtido resultados significativos. Seria isso verdade? Confira no levantamento de diversas pesquisas feito pela Labdoor.

Mesmo que a maioria dos cientistas afirme que a cura do Alzheimer ainda não foi descoberta, essa não é a impressão que você terá ao ler notícias sobre os protocolos MEND [1] (tratamento contra o Alzheimer, em português ‘melhora metabólica para neurodegeneração’) ou Bredesen [2]. E não é a impressão que você terá ao fazer a leitura das pesquisas já publicadas sobre esses protocolos. Para ter uma ideia completa, é necessário conferir com outros especialistas da área e ler as pesquisas já feitas até agora.

(Nota do Editor: Quando citamos DA nesse artigo, estamos falando do Alzheimer tipo demência. A doença de Alzheimer em si não pode ser diagnosticada sem uma autópsia.)

Com a publicação de ambos os relatos de casos do MEND em 2014 [3] e 2016,[4]  o Dr. Dale Bredesen e seus colegas afirmaram obter uma “reversão do declínio cognitivo em pacientes com Alzheimer”. Eles chegaram a alegar que alguns de seus pacientes estão sem os sintomas do Alzheimer – essencialmente curados da doença de Alzheimer (DA). Mas isso ocorreu com apenas dez pacientes.

Agora, de acordo com o resumo do AAIC 2016 [5] (Conferência Internacional da Associação de Alzheimer), eles afirmam que 40% dos 76 pacientes com Alzheimer tratados por pelo menos 6 meses têm melhorado a sua função de memória, com base em “testes de neuropsicologia padrão”.

Temos algumas ressalvas.

Os pesquisadores do protocolo MEND estão reivindicando níveis de melhoria que nunca antes foram vistos em pacientes com Alzheimer. Essas são afirmações ousadas em uma indústria de pesquisas que tem lutado com todas as forças contra a doença.

Foi questionado [6]se o protocolo é uma tentativa de ganhar dinheiro com a ignorância das pessoas idosas e desesperadas. As taxas de participação para pacientes com Alzheimer chegam a até US$ 20.000 por ano [7].

Críticos da pesquisa apontam que os relatos de casos bem sucedidos não têm a mesma validade dos estudos clínicos randomizados [8] (cujos participantes são escolhidos de forma aleatória): relatos de casos mostram que algo talvez possa funcionar, mas apenas estudos clínicos randomizados podem provar se o tratamento é eficaz ou não.

Bredesen e seus colegas afirmam que um estudo clínico randomizado será realizado no futuro, mas por enquanto eles apenas continuam a se expandir globalmente [7]e trazer novos pacientes para o tratamento.

As medições de eficácia utilizadas no protocolo MEND não podem ser confiáveis sem uma população de controle. Os pesquisadores do MEND utilizaram apenas testes cognitivos, exames muito parecidos com aqueles que você veria na escola, para medir alterações na memória e na função mental.

Críticos observaram [6] que os participantes naturalmente ficavam melhores [9]em testes cognitivos a cada vez que passavam por eles. Essencialmente, a prática leva a perfeição, mesmo com o Alzheimer.

Sem um grupo de controle de pacientes com Alzheimer sem tratamento para se fazer a comparação, os pesquisadores do MEND não poderiam dizer se as melhorias vieram da prática ou do tratamento em si.

Afinal, o que é o protocolo MEND?

É uma medicina personalizada [10] – o regime de tratamento varia de paciente para paciente [11], baseado em suas características pessoais. Este é um ponto de preocupação para um crítico que afirmou [6]não termos dados suficientes (como será explicado adiante) para dominar o uso adequado da medicina individualizada para a Doença de Alzheimer.

O protocolo MEND completo é marca registrada e de propriedade exclusiva, mas a partir da comparação dos relatos de casos11 podemos deduzir os tratamentos que foram aplicados nos pacientes: comer menos carboidratos e não lanches, tomar melatonina e aumentar a quantidade de sono, fazer exercícios diários e tomar vitamina D3, CoQ10 e óleo de peixe.

Conforme casos relatados, o protocolo MEND consiste em:

  1. Exercitar-se pelo menos 4 vezes por semana
  2. Tomar 0,5 mg de melatonina toda noite
  3. Tentar aumentar o sono para 7-8 horas por noite
  4. Eliminar carboidratos simples da dieta
  5. Aumentar o consumo de frutas e vegetais, limitar a carne vermelha e não comer peixe de cativeiro
  6. Ter 12 horas entre o jantar e café da manhã; comer o jantar 3 horas antes de dormir
  7. Tomar vitamina B12, 1mg por dia
  8. Tomar vitamina D3, 2000 U.I. por dia
  9. Tomar CoQ10, 200mg por dia
  10. Tomar óleo de peixe com, pelo menos, 320mg de DHA e 180mg de EPA por dia

Além disso, alguns pacientes foram orientados a adicionar: Yoga, meditação, aumento da higiene oral, probióticos, vitaminas C e E, zinco, cúrcuma, uma variedade de outros suplementos, além de terapia hormonal para as mulheres.

Resta ver as evidências. Em última análise, não vimos os pacientes e não temos a experiência ou o treinamento do Dr. Bredesen e seus colegas, por isso não podemos dizer definitivamente se o protocolo MEND funciona ou não contra a Doença de Alzheimer. O que podemos fazer é olhar para cada tratamento individual e analisar os seus méritos. Confira abaixo.

A pesquisa real sobre o Alzheimer por trás de cada um dos tratamentos do protocolo MEND

Alzheimer tratamento

Exercício:

De todos os tratamentos, a evidência é mais forte para o exercício.

A pesquisa observacional e longitudinal mostra decisivamente que pessoas que se exercitam são muito menos propensas a desenvolver Alzheimer quando velhas. Quanto mais intenso e regular o exercício, menos provável que o Alzheimer vá se desenvolver [12, 13, 14 e 15].

Estudos estão agora examinando se o exercício regular pode ser usado para o tratamento de Alzheimer. Até agora, os resultados têm sido promissores, mas não conclusivos [16, 17 e 18].

Sono:

Sabemos que é um problema comum para pacientes com Alzheimer [19] e que eles têm problemas emocionais durante o dia depois de uma noite mal dormida. Infelizmente, a melatonina pode não ser útil para este grupo de pacientes [20, 21], mas foi comprovado que a atividade física melhora o sono [22]. Também não há qualquer pesquisa realizada para observar se o aumento da duração do sono pode melhorar os sintomas da DA.

Dieta:

O protocolo MEND pede aos pacientes para que eliminem qualquer adição de açúcares e carboidratos simples da dieta, que reduzam o consumo de carne e comam muito mais frutas e vegetais. Mesmo que isso geralmente seja uma boa recomendação para qualquer um de nós, há poucas pesquisas para comprovar a sua eficácia em pacientes com Alzheimer.

Pesquisadores têm investigado a ligação entre a resistência à insulina (como em pacientes com diabetes) e desenvolvimento de Alzheimer. Os resultados são inconclusivos [23, 24]. Até agora, tem sido observado que os biomarcadores de Alzheimer têm melhorado em roedores com dieta alta em proteína e baixa em carboidratos (cetogênica) [25]. Porém, isso é muito diferente de mostrar que uma dieta baixa em carboidratos pode tratar os sintomas de DA em seres humanos.

Vitamina B12:

Uma pesquisa confirmou que os pacientes com Alzheimer possuem níveis baixos de B12 [26, 27], mas há evidências conflitantes sobre a deficiência do B12 estar relacionada ao desenvolvimento da DA [28, 29]. De qualquer maneira, suplementos de B12 não parecem tratar os sintomas de Alzheimer [30].

Vitamina D3:

A vitamina D pode ter um papel importante para o Alzheimer. Uma pesquisa mostrou que os pacientes com a doença são frequentemente deficientes em vitamina D [31], e que as pessoas saudáveis com deficiência em vitamina D são mais propensas a desenvolver Alzheimer no futuro [32]. Um estudo também mostrou que uma combinação de memantina (medicamento para Alzheimer) e vitamina D melhorou a cognição em pacientes idosos com DA [33].

CoQ10:

A Coenzima Q10 é um antioxidante em nosso corpo que ajuda a converter alimentos em energia. Sabemos [34] que os níveis de Q10 naturais não são diferentes para pacientes com Alzheimer em comparação com a média das pessoas, mas há especulações de que a suplementação possa ajudar.

Os suplementos Q10 melhoraram os biomarcadores de Alzheimer [35] e os sinais de função cognitiva em estudos com ratos, mas nenhum teste foi publicado para seres humanos com DA, então ainda não sabemos se seria eficaz.

Óleo de peixe:

Embora tenha sido demonstrado que o óleo de peixe ajuda na progressão contra o déficit cognitivo ligeiro (DCL) na população idosa em geral, a substância mostrou benefícios mínimos em pacientes com Alzheimer [36, 37 e 38]. Suplementos de óleo de peixe muitas vezes são recomendados para pacientes com DA por seus efeitos cardiovasculares, mas eles não são normalmente usados para tratar os sintomas mentais de DA.

Conclusão

Dos tratamentos mostrados nestes estudos de caso, apenas os exercícios e a memantina + vitamina D têm provado conclusivamente, através de estudos controlados, benefícios cognitivos em pacientes com Alzheimer. Outros componentes do protocolo MEND, como a redução de carboidratos, aumento de sono, suplementação com CoQ10 e óleo de peixe podem ter alguns méritos, mas ainda não são comprovados.

Assim, mesmo que alguém com Alzheimer siga todos estes conselhos, é improvável que experimentem mais do que uma leve melhora em seus sintomas. Sem mais informações sobre os detalhes do protocolo MEND, nós acreditamos que seja improvável que ele possa melhorar dramaticamente os sintomas em pacientes com Alzheimer.

O Alzheimer é uma doença complexa, sem uma solução clara, e muitos de nós estão procurando por qualquer ajuda que pudermos encontrar. Estamos tentando considerar o protocolo MEND em todo o âmbito da investigação sobre o Alzheimer, a maioria dos quais ainda está sendo conduzida.

Em última análise, mudanças no estilo de vida como exercícios, dieta e vitaminas são promissores, mas provavelmente não vão causar grandes melhorias. No entanto, com certa expectativa, esta pesquisa mostra que a modificação do estilo de vida ainda é uma boa opção.

Se este artigo lhe ajudou, provavelmente ajudará outras pessoas. Então compartilhe-o!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. MUSES LABS. The MEND TM protocol. Disponível em: <https://museslabs.com/physicians/>. Acesso em: 16 de out. 2016.

2. MPI COGNITION. The Bredesen protocol. Disponível em: <https://www.mpicognition.com/protocol-overview>. Acesso em: 16 de out. 2016.

3. BREDESEN, Dale E. Reversal of cognitive decline: a novel therapeutic program. Aging (Albany NY), v. 6, n. 9, p. 707-717, 2014.

4. BREDESEN, Dale E. et al. Reversal of cognitive decline in Alzheimer's disease. Aging (Albany NY), v. 8, n. 6, p. 1250, 2016.

5. AAIC 2016. Initial Development, Application, and Results from a Clinical Informatics Platform That Enables a Multi-Modal Treatment Protocol for Alzheimer's Disease. Disponível em: <https://ep70.eventpilotadmin.com/web/page.php?page=IntHtml&project=AAIC16&id=a11337>. Acesso em: 16 de out. 2016.

6. SCIENCE-BASED MEDICINE. MEND Protocol For Alzheimer’s Disease. Disponível em: <https://www.sciencebasedmedicine.org/mend-protocol-for-alzheimers-disease/>Acesso em: 16 de out. 2016.

7. NEW ZEALAND LISTENER. Professor Dale Bredesen’s Alzheimer’s treatment now on offer in New Zealand. Disponível em: <http://www.listener.co.nz/current-affairs/health-current-affairs/bredesens-alzheimers-treatment/>Acesso em: 17 de out. 2016.

8. INTRODUCTION TO EVIDENCE-BASED PRACTICE. Type of study. Disponível em: <http://guides.mclibrary.duke.edu/c.php?g=158201&p=1036068>Acesso em: 17 de out. 2016.

9. LIEVENS, Filip; REEVE, Charlie L.; HEGGESTAD, Eric D. An examination of psychometric bias due to retesting on cognitive ability tests in selection settings. Journal of Applied Psychology, v. 92, n. 6, p. 1672, 2007.

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